27/04/2015 15:48
Uma macarronada que salvou muitas vidas: "Gli Strascinati"

 

Cada nação tem uma "história maior", feita por guerras, alianças, reis, presidentes, literatos, cientistas, grandes artistas, etc., mas ao lado dessa corre uma "história menor", que é tão importante quanto a primeira para nos apresentar um determinado povo e é feita por costumes populares, antigas profissões, roupas típicas e comidas tradicionais.

Num pais como a Itália, desde sempre berço dos bons sabores, a identidade das várias regiões é frequentemente ligada com alguma antiga receita, que não raramente tem uma origem entre história e lenda.

Um exemplo do gênio orgulhoso e da criatividade da população da Umbria, no centro da Itália, podemos encontrá-lo lembrando como nasceu um entre os mais saborosos pratos daquela terra: "Gli Strascinati di Cascia" (nome que podemos tentar traduzir criando a expressão "Os Desarrastados de Cascia"). A receita, na verdade, não é originária de Cascia, mas de Monteleone de Spoleto, outra pequena cidade da Valnerina. Contudo, Cascia se apropriou deste prato até torná-lo parte da sua identidade.

A história narra que, no ano 1494, os Capitães Paolo e Camillo Vitelli invadiram as terras de Monteleone, quando estavam procurando se juntar com o exército do Rei de França Carlo VIII, que combatia pela conquista do Reino de Napoli. Quando chegaram ao Castelo, prenderam todos os homens daquele lugar e pediram hospedagem e comida às mulheres. Elas, porém, irritadas pela ofensa sofrida, serviram aos soldados uma macarronada muito mal temperada, e para se desculpar falaram que naqueles tempos difíceis não podiam oferecer nada de melhor. A reação dos militares foi feroz: amarraram os homens das cozinheiras aos cavalos e ameaçaram que os teriam arrastados ("trascinati") no chão em volta do castelo até eles morrerem, a não ser que as mulheres servissem alguma coisa gostosa para comer. Este perigo impulsionou a criatividade de uma empregada que, aproveitando da abundância de embutidos de porco no período do carnaval, mudou a cara da macarronada juntando toucinho, linguiça fresca, ovos e queijo. Estes ingredientes, misturados com habilidade, tornaram muito gostoso ao paladar dos soldados famintos o prato de macarrão que antes tinham rejeitado. Quando foram satisfeitos, os Capitães determinaram que os homens fossem "strascinati" (desarrastados) e pudessem voltar para as suas esposas.

Esta receita, fruto da inventiva das mulheres umbras e do medo que aumentou o engenho delas, passou de geração em geração até os nossos dias.

Ilario Giannelli – Coordenador de Ensino da Monte Bianco

 

"Gli Strascinati"

GLI STRASCINATI: un piatto di pasta che salvò molte vite

Ogni  nazione ha "una storia maggiore", fatta di guerre, alleanze, re, presidenti, letterati, uomini di scienza, grandi artisti, ecc., ma, a fianco di essa, scorre una "storia minore", che concorre non meno della prima a rendere l'idea di come sia effettivamente un determinato popolo ed è fatta di usanze popolari, antichi mestieri, abiti tipici e ricette tradizionali.

In un paese come l'Italia, da sempre culla dei buoni sapori,  l'identità delle varie regioni è spesso legata a qualche antica ghiottoneria, che non di rado ha un'origine che si perde nella leggenda.

Un esempio dello spirito fiero e della fervida inventiva delle genti dell'Umbria, nel cuore dell'Italia centrale, lo si trova nella vicenda che ha dato vita ad uno dei più saporiti piatti di quella terra: "Gli Strascinati di Cascia". La ricetta, in realtà, non è originaria di Cascia, bensì di Monteleone di Spoleto, un altro piccolo centro della Valnerina, ma Cascia, la città di Santa Rita, si è appropriata di questo piatto, al punto di renderlo parte integrante della sua identità.

La storia narra che, nel lontano 1494, i capitani Paolo e Camillo Vitelli invasero la terra di Monteleone, nell'intento di raggiungere e appoggiare l'esercito del Re di Francia Carlo VIII, che stava combattendo per conquistare il Regno di Napoli. Giunti al Castello,  fecero prigionieri tutti gli uomini del luogo e chiesero ospitalità e cibo alle donne. Queste, però, adirate per l'affronto subito, servirono ai soldati un misero piatto di "penchi" mal conditi, adducendo la scusa che in quei tempi così travagliati non era possibile per loro offrire niente di meglio. La reazione dei condottieri fu furiosa: legarono gli uomini delle cuoche irriguardose a dei cavalli e minacciarono che li avrebbero "trascinati" in terra intorno al castello fino alla morte, a meno che le donne non gli servissero qualcosa di più appetitoso. Questo pericolo imminente stimolò l'inventiva di una domestica che, approfittando del tempo di carnevale in cui erano comuni i salumi a base di carne di maiale, modificò i "penchi" con l'aggiunta di guanciale, salsiccia fresca, uova, formaggio pecorino. Questi ingredienti, abilmente mescolati, resero piacevolissimo, al palato dei soldati affamati, il piatto di pasta precedentemente tanto disprezzato. Dopo che ebbero mangiato a sazietà, i capitani decisero che gli uomini del luogo fossero "strascinati" e potessero tornare con le proprie consorti.

Questa ricetta, frutto della creatività delle donne umbre e della paura che ne aguzzò l'ingegno, è stata poi tramandata di generazione in generazione fino ai nostri giorni.

Ilario Giannelli – Coordinatore Pedagogico della Monte Bianco


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