19/08/2015 16:34
OS LUGARES DA LÍNGUA E DA LITERATURA ITALIANAS: VENEZA

No nosso caminho, que visa apresentar os lugares em que nasceu e fortaleceu-se a língua literária italiana, uma etapa fundamental é representada pela belíssima Veneza. Esta afirmação pode surpreender os que não conhecem bem a matéria, pois todos sabem da força que no Veneto tem o dialeto local, mas mesmo em Veneza foi publicada no 1525 uma obra fundamental na história da língua italiana: "As prosas da língua vulgar". Autor dessa dissertação foi o aristocrático vêneto Pietro Bembo, que já era conhecido nos círculos culturais pela sua atividade de poeta, filósofo e filólogo, seja em latim seja na língua vulgar italiana. Bembo nesse texto expressou suas opiniões sobre a "questão da língua", que era muito debatida naqueles anos. Com efeito, muitos estudiosos asseriam que era precisa uma língua unitária válida para a Itália toda, apesar das divisões políticas e da prática dos dialetos locais nas comunicações cotidianas. Existiam, porém, opiniões diferentes sobre qual tivesse que ser esta língua comum italiana. Alguns literatos, entre os quais o vicentino Trissino e o mantovano Castiglione, apoiavam a "língua cortesã", ou seja afirmavam que a língua comum usada nas várias cortes italianas tinha que ser escolhida como língua nacional. Outros intelectuais, como Machiavelli, promoviam a supremacia do florentino, que desde o século XIV era modelo inspirador para os escritores italianos, propositalmente esquecendo, porém, de realçar que duzentos anos tinham mudado bastante a língua de Florença. Bembo entrou nessa disputa indicando uma terceira opção: adotar como língua literária nacional o florentino do século XIV, nas formas usadas na poesia por Petrarca e na prosa por Boccaccio. A posição de Bembo ganhou o consenso da maioria dos literatos e influenciou fortemente a sucessiva história da língua italiana. Os motivos desse grande sucesso podem ser resumidos da seguinte forma: a língua comum "cortesã" tinha características pouco definidas para se tornar um válido modelo e o florentino do século XVI tinha perdido a originária elegância dos antigos mestres. Por outro lado, o florentino do século XIV tinha traços certos, nos escritos de Petrarca e Boccaccio. O grande mérito de Bembo foi ter realçado essas características, de maneira que foi possível oferecer um modelo claro e explícito aos autores que gostassem segui-lo. Uma pequena curiosidade: não foi por acaso que o maior poeta florentino, Dante Alighieri, ficou um pouco de lado na obra de Bembo. Dante era um grande gênio e na "Comédia" escreveu com muita liberdade, variando continuamente suas escolhas verbais e lexicais, seguindo as exigências da métrica e da rima. Portanto, ele ofereceu a Bembo um modelo de língua menos homogêneo daquele de Petrarca.

Ilario Giannelli – Coordenador de Ensino da Monte Bianco

 

Venezia: Palazzo Bembo

I LUOGHI DELLA LINGUA E DELLA LETTERATURA ITALIANE: VENEZIA 

Nel nostro cammino, volto a presentare i luoghi in cui nacque e si irrobustì la lingua letteraria italiana, una tappa obbligata è rappresentata dalla splendida Venezia. Questa affermazione può sorprendere i non addetti ai lavori, poiché è universalmente nota la forza che in terra veneta ha sempre avuto il dialetto locale, ma proprio a Venezia fu pubblicata nel 1525 un'opera fondamentale nella storia della lingua italiana: "Le prose della volgar lingua". Autore di questo saggio fu il veneziano Pietro Bembo, che all'epoca era già noto negli ambienti colti per la sua attività di poeta, filosofo e filologo, sia in latino che nella lingua volgare italiana. Bembo in questo testo concentrò le sue opinioni sulla questione della lingua, che era molto dibattuta in quegli anni. Infatti, molti studiosi italiani sostenevano in vari modi l'esigenza del consolidarsi di una forma linguistica unitaria valida per tutta l'Italia, nonostante la sua perdurante divisione politica e la pratica dei dialetti locali nelle comunicazioni quotidiane.  Le opinioni, però, erano divergenti su quale dovesse essere questa lingua comune italiana. Alcuni letterati, tra cui il vicentino Trissino e il  mantovano Castiglione, sostenevano la "lingua cortigiana", ossia affermavano che la lingua comune praticata nelle varie corti italiane dell'epoca avrebbe dovuto essere scelta come lingua nazionale. Altri intellettuali del tempo, come Machiavelli, erano convinti fautori della supremazia del fiorentino, che sin dal trecento rappresentava il modello di riferimento per gli scrittori italiani, dimenticando volutamente, però, di evidenziare che duecento anni avevano modificato significativamente la lingua di Firenze. In questo dibattito Bembo si inserì indicando una terza soluzione: adottare come lingua letteraria nazionale il fiorentino del trecento, nelle forme consacrate per la poesia dal Petrarca e per la prosa dal Boccaccio. Può apparire strano, ma la posizione di Bembo ottenne il consenso della maggioranza degli intellettuali e influenzò in maniera decisiva la successiva storia della lingua italiana. I motivi di questo grande successo possono essere sintetizzati nei seguenti termini: la lingua comune "cortigiana" aveva caratteristiche troppo vaghe per essere un valido punto di riferimento e il fiorentino cinquecentesco aveva perso l'originale eleganza dei grandi maestri del passato. D'altra parte, il fiorentino trecentesco aveva contorni molto ben definiti, nelle opere che avevano dato la fama a Petrarca e Boccaccio. Bembo ebbe il grande merito di evidenziare queste caratteristiche, in modo da offrire un modello chiaro e esplicito agli autori che volessero conformarvisi. Una curiosità: non è un caso che il più grande poeta fiorentino, Dante Alighieri, sia rimasto un po' in ombra nell'opera di Bembo. Dante era un grandissimo genio e nella "Commedia", contrariamente a quanto aveva fatto nelle sue opere giovanili, scrisse in assoluta libertà, variando continuamente le sue scelte verbali e lessicali, secondo le esigenze della metrica e della rima e, pertanto, offriva a Bembo un modello di lingua meno omogeneo di quello di Petrarca.

Ilario Giannelli - Coordinatore didattico della "Monte Bianco"


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